Falamos da morte. De como se parte o sopro que nos unia
a esta tão frágil, vívida fantasia.
Um último passo, leve, despercebido,
nos aproxima da terra e do seu sentido.
Falamos de como pouco tanto sabe
e tanto sabe a tanto antes que acabe.
Da nossa voz tornada eco na memória
de quem fugaz partilhou a mesma história.
Falamos da vida. Imensa e clara,
seja ela a da formiga ou da cigarra.
Do amor, da alegria, da certeza,
de uma familía partilhando a sua mesa.
Tudo o que temos está aqui e está agora.
Tão vivo está quem ri como quem chora.
Falamos de nós, centelhas de luz
batendo asas por aquilo que reluz.
Fechando o medo na gaveta do segredo,
correndo o dia, escondendo o medo.
Quando afinal bastaria descansar
de mãos dadas respirando junto ao mar.
Um só fôlego, uma única tarde.
Que nada existe tão mais perto da verdade.